Isso não é um terrorismo qualquer. É o terrorismo midiático, bobinho.

Se independente e espontâneo, “espetáculo” com falsa ameaça de bomba ocorrido essa semana no hotel St. Peter, em Brasília, é um reflexo do delírio coletivo criado pela mídia brasileira nos últimos anos.

Começamos a ser informados de nossa ruína há cerca de quatro anos. A cada manchete, temos mais certeza de que o caos é eminente. A economia entrou em colapso, o desemprego vai alcançar, em breve, índices estratosféricos, a corrupção está consumindo todos os recursos da saúde e da educação e a Petrobrás está à beira da falência.

Essa é a realidade que nos enfiam goela abaixo, diariamente, em cada análise de especialistas globais cuidadosamente selecionados; em cada comentário de Miriam Leitão e Jabor; em cada manchete da Folha de S. Paulo, do Estadão, do O Globo – a Santíssima Trindade do charlatanismo impresso; em cada edição do planfleto Veja, que há muito abandonou os fatos pelos factoides.

Na tentativa desesperada de ditar os rumos políticos do país, a imprensa brasileira criou um monstro: um contingente de desinformados delirantes pautados pelo ódio irracional e paranoico que não se justifica ou embasa. O raciocínio há muito tempo abandonou o campo do debate político. Não mais são necessários fatos, números ou mesmo a sustentação lógica mais elementar; precisamos de acusações, escândalos, agressões, linchamentos midiáticos ou reais.

Ao invés de pensar, adotemos palavras e expressões prontas que a imprensa e seus articuladores gentilmente nos cedem para discussões de bar em que todos concordam. “Bolivariano”, “quadrilha”, “recessão”, “fantasma da inflação”, “falência da Petrobrás”, “ditadura do politicamente correto”, “maior carga tributária do mundo”. No lugar de argumentos, prefira insultos pessoais; mande a presidente tomar no cu, e negue de forma agressiva qualquer evidência empírica que contradiga o discurso do caos.

A mídia brasileira se faz de desentendida e chocada quando vê um cidadão desequilibrado ameaçando explodir um hotel por “motivações políticas” conservadoras anti-esquerda, enquanto transmite cada segundo do espetáculo que ajudou a criar. Esse ódio crescente, que se espalha por toda parte e fica cada vez mais patente na internet, pode ser, para você, magnata das comunicações, só um efeito colateral dos seus esforços para garantir um governo que melhor se adeque aos seus interesses. Para a sociedade brasileira, no entanto, significa um retrocesso ideológico; uma transição rumo à irracionalidade e à alienação, através de um conflito vazio, cego e carregado de emoções negativas.

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