Ministro Arthur Chioro: ele sai, mas a saudade fica

O terceiro a gente nunca esquece.

Quando ele apareceu, fiquei desconfiada: “não vai superar o anterior”. Talvez porque, de fato, o segundo tenha sido muito bom também – apesar de ter me abandonado apressadamente, antes da hora, e por isso deixado um pouco de mágoa.

Cheguei ao Ministério da Saúde há cinco anos – foi no dia 15 do mês passado meu último aniversário nesse lugar que aprendi a amar. Parece pouco tempo, quando penso na totalidade da minha vida – cinco anos é só um sexto dela. Mas percebo que é muito quando lembro que chego agora a meu quarto ministro.

A pontinha de orgulho que sinto por ter vivido, assim tão de perto, muito do que foi feito pela saúde nesse país em tempos recentes se mistura com melancolia, quando vejo partir meu terceiro ministro – de longe o que deixa mais saudade.

Quando Chioro chegou, eu nunca tinha ouvido falar dele. “Bom sinal”, pensei. Um ministro desconhecido só pode significar menos politicagem (e mais política pública). Um ministro famoso geralmente está lá pra comprar apoio. E isso sei que o ministro Chioro nunca foi: sempre esteve aqui por sua competência, sua paixão, seus ideais.

“É nossa obrigação, como políticos de esquerda”. Arrepiei quando o ouvi dizer isso em um jantar em Santa Fé, berço do socialismo argentino. Nunca tinha ouvido um ministro se posicionar ideologicamente antes. E não espero ouvir novamente. Essas são aquelas coisas que muito raramente saem do imaginário daqueles que votam em partidos e políticos de esquerda – quando no poder, viram centro ou coisa pior.

Esse não. Por isso, foi o único que vi enfrentar publicamente as entidades médicas corporativistas, que tanto mal fazem à saúde de nosso país. “Querem o monopólio!”, ele disse em uma entrevista sobre as sociedades de especialidades médicas. Me lembro de pensar na hora: “Esse ministro ainda vai fazer muito estrago”. E fez – pena que por tão pouco tempo. Vai deixar saudade, mas deixou também sua marca e, sem dúvida, um exemplo para os próximos que vem por aí.

Que venha o quarto ministro! Superar o terceiro vai ser difícil… Mas eu já estive errada antes, não é mesmo?

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