“Estados Unidos pedem investigação ‘rápida’ sobre queda de avião da Malaysia na Ucrânia”

As palavras “EUA”, “investigação” e “rápida”, assim, juntas na mesma frase, me causam arrepios.

Nessa “investigação rápida” liderada pelo Ocidente, a Rússia já entra como culpada. A Ucrânia entra como vítima, e sai com um pretexto. O resultado é carta branca para medidas e ações mais ousadas (e quem sabe até violentas) por parte dos EUA, UE e OTAN contra a Rússia, de modo a provocar seu isolamento e enfraquecimento geopolítico e econômico.

[Tudo certo. Afinal, com isso, os Brics, que já começavam a abalar o status quo, perdem força como bloco, e o mundo se mantém como sempre foi e deve ser: dominado pelas tradicionais potências ocidentais do chamado “primeiro mundo”.]

Os principais veículos de abrangência internacional do Ocidente já fazem seu dever de casa e usam de artifícios sutis para insinuar a culpabilidade do governo russo. Culpada ou não, a nação russa já é o bode expiatório.

Assistindo ao noticiário brasileiro – sempre influenciado fortemente por veículos e agências internacionais americanas e europeias –, percebo cada vez mais evidente a tentativa da mídia de induzir a opinião pública a considerar, entre os potenciais suspeitos, o lado russo como “o mais inclinado a tal atrocidade” (mesmo sendo este o lado com menor chance de obter dividendos geopolíticos positivos a partir da tragédia). O resquício do sentimento antissoviético predominante na maioria da população ocidental deixa esse trabalho ainda mais fácil.

Independente da verdadeira identidade do culpado (o que, dado o caráter sumário e parcial das investigações, arrisco dizer: jamais saberemos com absoluta certeza), parcela suficiente do mundo já está convencida de quem deve pagar pela queda do voo MH17. E o potencial político e econômico desse convencimento é preocupante para o equilíbrio do poder no contexto internacional.

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